Iniciativa do Hospital Regional de Taguatinga conscientiza sobre como distúrbios do sono afetam até 80% das pessoas com autismo e impactam a rotina familiar.
A ciência demonstra que o sono é um dos pilares da saúde, mas para famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele pode ser um desafio diário. Estima-se que de 40% a 80% das pessoas com autismo apresentem algum distúrbio do sono. Atenta a essa realidade, a cirurgiã-dentista Andréia Aquino, do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), decidiu transformar a observação clínica em ação educativa.
A especialista, que atua no atendimento a pessoas com deficiência (PcDs), idealizou o informativo O sono e o autismo. O objetivo é alertar que a baixa qualidade do descanso não afeta apenas o indivíduo autista, mas desestabiliza toda a estrutura familiar. Segundo Aquino, a privação de sono pode intensificar sintomas do TEA, gerando prejuízos no comportamento, na socialização e no desenvolvimento cognitivo.
Transformação na prática: o caso de Murilo
A eficácia das orientações já apresenta resultados práticos. Danielle Nunes Lacerda, de 39 anos, mãe do jovem Murilo, de 12, relata uma mudança drástica após participar do Encontro Atípico, uma terapia comunitária realizada mensalmente no HRT.
Antes de adotar novos hábitos, Murilo enfrentava dificuldades para pegar no sono e acordava muito cedo, o que resultava em irritabilidade e cansaço excessivo durante o dia. A situação gerava frustração para os pais, que precisavam interromper o próprio descanso para acompanhar o filho.
Com o suporte médico adequado e a implementação da higiene do sono, o cenário mudou. "A partir do momento em que começamos a aplicar a higiene do sono, ele melhorou 100%. Continua acordando cedo, mas tem uma noite de sono muito melhor", afirma Danielle.
O que é a higiene do sono?
O material distribuído pelo SUS no Distrito Federal orienta sobre um conjunto de práticas que ajudam o organismo a se preparar para o repouso. Entre as recomendações fundamentais estão a manutenção de horários fixos para dormir, a criação de um ambiente com pouca luz e ruído, e a redução do uso de telas antes de deitar.
Há dois anos, esse material tem sido um instrumento vital de sensibilização nas ações de cuidado às pessoas com deficiência na rede pública. Ele serve como um guia para que pais e cuidadores compreendam que o ajuste na rotina pode ser tão importante quanto intervenções medicamentosas.
Abril Azul e a rede de apoio no DF
A conscientização ganha destaque neste mês com a campanha Abril Azul, instituída pela ONU para combater o preconceito e promover a inclusão. O Distrito Federal tem avançado no suporte a essa população, que soma cerca de 34,5 mil pessoas (1,2% dos habitantes locais).
Em 2025, a rede pública de saúde registrou números expressivos: mais de 8,2 mil atendimentos na atenção primária e quase 135 mil procedimentos especializados. O fortalecimento das políticas públicas foi marcado pela inauguração do primeiro Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea), consolidando o compromisso do governo com a saúde e a dignidade das famílias atípicas.
Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)

Comentários: